O aquecimento do mercado imobiliário vem possibilitando a ocupação de 85% da capacidade produtiva da indústria de materiais deste segmento, englobando das etapas básicas ao acabamento. Entre os insumos essenciais como cimento e produtos siderúrgicos, o ritmo excessivo de construção não deixa margem para capacidade ociosa, demonstrando ser este o ciclo mais forte das últimas décadas.
O incremento da construção de imóveis advém da oferta de financiamentos de longo prazo, oriundos especialmente do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A massa de recursos para bancar os empréstimos da casa própria resulta do desempenho da economia, ofertando empregos estáveis e, conseqüentemente, o recolhimento das parcelas do FGTS.
A estimativa de recursos oriundos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), disponíveis para o financiamento imobiliário, este ano, é de R$ 35 bilhões. Paralelamente, estima-se em 270 mil unidades a quantidade de imóveis a serem construídos, em 2008, reinstalando-se o período de euforia do mercado alcançado em 1980 pelo Sistema Financeiro da Habitação.
Tanto crédito disponível, tantos imóveis colocados à venda e uma procura bem elevada estão deixando a indústria de materiais de construção bem próxima de esgotar sua capacidade de atendimento. O faturamento dos fornecedores dos insumos básicos da construção de moradias também se encontra estimado para cima, prevendo um crescimento de 18%, resultando numa receita de R$ 92,4 bilhões no ano.
Como há décadas não se via uma evolução dessa ordem, a indústria de cimento opera, hoje, num ritmo 14% acima de igual período do ano passado, sendo diminutas as possibilidades de expansão de suas atuais 65 fábricas. Nos últimos doze meses, a demanda pelo produto alcançou 58,5 milhões de toneladas. Somente no mês de julho, a produção nacional foi de 4,8 milhões de toneladas. Já a produção de insumos da cadeia siderúrgica, no País, atualmente, é de 41 milhões de toneladas. O mercado interno absorve 60% da produção, sendo o restante exportado. Com o aquecimento do mercado de moradias populares, as exportações serão interrompidas, em face da maior procura. O segmento anuncia a ampliação da capacidade de produção, elevando-a para 66,7 milhões de toneladas. A construção habitacional traz efeitos positivos de médio prazo aos locais onde estão instalados seus canteiros de obras. Primeiro, porque 50% dos recursos mobilizados nos empreendimentos são destinados ao custeio da mão-de-obra. Como esta tem pouca capacidade aquisitiva, cada folha de pagamento representa uma injeção de recursos no mercado consumidor, resultante do suprimento familiar.
Parte expressiva dos 50% restantes é utilizada na aquisição de produtos básicos como telha, tijolo, barro, cal, cimento, madeiras, tintas, materiais hidráulico e elétrico. O crédito imobiliário tem, portanto, a capacidade de aquecer a indústria da construção civil e de proporcionar a redução da demanda reprimida pela casa própria.
Fonte: Diário do Nordeste |